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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

CAPITULO VI >> Expansão Marítima de Portugal - Ascensão do Império


D.João III, reina de 1521 a 1557

Conhecido por "Colonizador" e "Piedoso", por ser extremamente religioso. Filho mais velho do rei D. Manuel I e de sua segunda esposa a infanta Maria de Aragão e Castela, tendo ascendido ao trono apenas com dezanove anos de idade. Mostrou interesse pela política ultramarina, tendo herdado de seu pai um enorme império disperso, começando pela costa ocidental e oriental de África, Índia, Malásia, ilhas do Pacífico, China e Brasil, mas também herdou problemas de grande complexidade. A nível interno o monarca deu continuidade à política centralizadora e absolutista de seus antecessores.
Tratados celebrados. Tratado de Saragoça limitou os territórios a oriente entre Portugal e Espanha.

Foi forçado abandonar diversas cidades fortificadas no norte de África, Safim, Azamor, Alcácer-Ceguer e Arzila, devido aos custos da sua defesa face aos ataques muçulmanos. Iniciou a colonização efetiva do Brasil, onde dividiu em capitanias hereditárias, estabelecendo o governo central em 1548, combatendo assim a pirataria.
Brasil, divisão das Capitanias Hereditárias
Durante o seu reinado, foi obrigado a negociar as Molucas com a Espanha, no tratado de Saragoça, adquiriu novas colônias na Ásia; Chalé, Diu, Bombaim, Baçaim e Macau. 

Em 1543, pela primeira vez navegadores portugueses chegam ao Japão, sendo os primeiros europeus a chegar ao império do oriente, ampliando assim, a presença portuguesa de Lisboa até Nagasaki. As relações diplomáticas com Espanha, França, Santa Sé e países do norte da Europa são fortalecidas.
Fez-se o primeiro recenseamento da população portuguesa, para se saber com exatidão o nº demográfico do país; fez-se uma reforma da Universidade portuguesa e criou-se o Colégio das Artes em Coimbra, como instituto de preparação ao ensino universitário, continuando assim a dar atenção à universidade e à cultura. Fundou-se ainda a companhia de Jesus, que veio a ter muita força dentro e fora do país, onde se opunha ao protestantismo; efetuaram-se os primeiros autos da fé e publicou-se uma lista de livros proibidos. A sua devoção, teve consequências na governabilidade do seu reinado, por ter implementado várias medidas, sendo uma das principais a permissão da introdução da
Companhia de Jesus " Jesuítas", foi determinante na colonização do Brasil
Inquisição em Portugal 1536, obrigando a fuga de muitos mercadores judeus e cristãos novos, este fato teve consequências sócio econômicas, sendo obrigado a recorrer a empréstimos de países estrangeiros.
Inicialmente destacado entre as potências europeias a nível econômico e diplomático, viu a rota do Cabo perder força, devido aos muitos assaltos em alto mar por piratas. Por outro lado a rota da Seda estava a recuperar, e voltava a ser relevante para o comércio Europeu. 
Em 1548 mandou fechar a feitoria portuguesa na Antuérpia. A crise iniciada no seu reinado passou para o seu sucessor D. Sebastião de Portugal seu neto, em consequência de todos seus herdeiros diretos terem falecido durante o seu reinado...

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

CAPITULO V >> Expansão Marítima de Portugal - Ascensão do Império

          

D.Manuel I - reina  de 1495 -1521

Apelidado de "o Afortunado" e "o Bem-Aventurado". Ascendeu ao trono após a morte de seu primo o rei D. João II, que não tinha herdeiros legítimos e o nomeou como seu sucessor. Na realidade este monarca, foi o único a subir ao trono sem ser parente em primeiro grau ou descendente do antecessor. Para a sua coroação beneficiou da morte de todos os seis pretendentes que sobre ele teriam prioridade, inclusive do filho do Rei. D Manuel I, provou ser um sucessor à altura, apoiando os descobrimentos portugueses e o desenvolvimento dos monopólios comerciais. Durante seu reinado, Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para Índia (1498), Pedro Álvares Cabral "descobriu" o Brasil (1500), Francisco de Almeida, tornou-se no primeiro vice-rei da Índia (1505) e o almirante Afonso de Albuquerque, assegurou o controlo das rotas comerciais do oceano Índico e golfo Pérsico e conquistou para Portugal lugares importantes como Malaca , Goa e Ormuz. 
Chegada de Vasco da Gama à Índia

   Também no seu reinado se organizaram viagens para o ocidente, tendo-se chegado à Gronelândia e Terra Nova, extremo leste do Canadá. O seu reinado decorreu num contexto expansionista, já preparado por seu antecessor. Marcado pelas consequências políticas e econômicas que provieram do fato, das descobertas do caminho marítimo para a Índia e da descoberta do Brasil.
A extensão de seu reinado, se deve à personagem determinada, voluntariosa, autocrata, detentor de um programa político potencializado pelo seu poder, dotado de uma assombrosa coerência, posto em prática até ao seu mais ínfimo detalhe. Priorizando a descoberta do caminho marítimo para a Índia, e as tão ambicionadas ilhas das especiarias, "as Molucas", determinantes para a expansão do império português, tendo ficado o Brasil em segundo plano. 
Primeira Viagem de Pedro Álvares Cabral.

Foi o primeiro rei a assumir o título de Senhor do Comércio, da Conquista e da Navegação da Arábia, Pérsia e Índia. Em 1521, promulgou uma revisão da legislação conhecida como Ordenações Manuelinas, que foram divulgadas com ajuda da nova imprensa. No seu reinado, apesar da sua resistência inicial, cumprindo as cláusulas do seu casamento com Maria de Aragão, viria a solicitar ao papa em 1515 a instauração da inquisição em Portugal, o que só viria a ser concedido no reinado seguinte, perante novo pedido de D.João III. 
   Com a prosperidade resultante do comércio, em particular o das especiarias, realizou numerosas obras cujo estilo arquitetônico ficou conhecido como “Estilo Manuelino”. Foi no reinado de D.Manuel I, que cerca de 93 mil judeus refugiaram-se em Portugal nos anos que se seguiram à sua expulsão de Espanha em 1492 pelos reis católicos, D. Manuel I mostrou-se mais tolerante com a comunidade judaica, mas, sob a pressão de Espanha, também em Portugal, a partir de 1497, os judeus foram forçados a converterem-se ao cristianismo para não serem mais humilhados e mortos em praças públicas. Em 1506 acontece o massacre de Lisboa, uma multidão perseguiu, torturou e matou centenas de judeus, acusados de serem a causa de uma seca, fome e peste que assolavam o país. 
   No dia 4 de dezembro de 1521, altura em que Lisboa era assolada por um surto de peste, D.Manuel I, que se encontrava com a sua corte no Paço da Ribeira, adoeceu gravemente, três dias mais tarde já se mostrava incapaz de assinar documentos e, no dia 11, ordenava alteração do seu testamento. Acabou por falecer no cair da noite do dia 13 deste mesmo mês.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

CAPÍTULO IV >> Expansão Marítima de Portugal - Ascensão ao Império


D. João II- reina de 1481 a 1495.  Apelidado de (o príncipe perfeito)


Na Europa, mais propriamente nas cidades do mediterrâneo, que dominavam o comércio dos produtos vindos do oriente: como Veneza, Gênova e Florença, mais a oriente Constantinopla (atual Istambul, Turquia) e também as cidades no norte de África, os cobiçados produtos do Oriente chegavam a estes portos por rotas terrestres. 
Os comerciantes Italianos, monopolizavam esse comércio fazendo a distribuição por toda Europa. No entanto, as relações entre o Ocidente cristão e o Médio Oriente muçulmano
nunca foram as melhores. Para acessar as riquezas da Índia e Oriente, os comerciantes europeus necessitavam manter boas relações diplomáticas com esses povos que eram os seus grandes fornecedores. 
Domínio do Império Otomano

Qualquer ruptura significaria o fracasso total, então D. João I, decide que Portugal deveria assumir um certo protagonismo no comércio Europeu e inicia a sua caminhada com a tomada de Ceuta, onde seus sucessores continuam a expansão marítima em direção ao atlântico sul em busca de se chegar ao oriente por mar, (já referenciado nos capítulos anteriores). Mas esta iniciativa era desprezada e até ridicularizada pelos europeus, detentores do monopólio comercial. Com a conquista da Constantinopla pelo Império Otomano em 1453, as principais rotas haviam sido bloqueadas, logo uma crise inevitável se abate sobre os portos que detinham o monopólio dessas rotas e produtos. D.JoãoII, acompanhou o seu pai nas campanhas em África e foi armado cavaleiro, depois da tomada de Arzila a 21 de Agosto 1471, com a morte de seu pai D. Afonso V, assume definitivamente o trono de Portugal em 1481, agora mais de que nunca era de extrema importância Portugal, seguir suas conquistas pelo continente africano, em busca do caminho para o oriente pelo mar. Para custear estas viagens D. João II de imediato faz contatos com os proprietários de grandes empresas comerciais que numa grande maioria, pertenciam a judeus. Essa atitude custaria a ele o rompimento com a nobreza portuguesa e também com a Igreja. Mesmo assim com todas dificuldades, D. João II convoca em 1487, três dos seus homens de confiança para uma missão secreta; enviando Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva, para recolher informações do Oriente acerca das rotas comerciais e pontos de referência e Bartolomeu Dias, com o propósito de explorar e investigar, a verdadeira extensão para Sul da costa do continente africano, de forma a avaliar a possibilidade de um caminho marítimo para a Índia. 
   O resultado não poderia ter sido mais promissor, as informações enviadas por Covilhã eram precisas. Um ano depois, Bartolomeu Dias em 1488, chegou ao oceano Indico a partir do Atlântico. Era o primeiro navegador a transpor o extremo sul da África, dobrando ao que ele lhe chamou de Cabo das Tormentas, (pelas tempestades e grandes vendavais que existiam na região).
Passagem do Cabo da Boa Esperança

   D.João II, ao saber do feito, o batizou de Cabo da Boa Esperança (por se terem aberto as portas do tão ambicioso caminho marítimo para Índia). O alto investimento aplicado nas viagens feitas, havia sido recompensado, “foi o acontecimento revestido de enorme grandeza em toda história das navegações”... Em segredo absoluto, era tempo de preparar um plano de navegação e exploração com 3 frentes de trabalho:

Sendo a primeira, estabelecer com o reinado de Preste João, (um soberano cristão do oriente com funções de patriarca e rei, correspondendo, na verdade, ao Imperador da Etiópia), homem muito bem relacionado, detentor de um vasto conhecimento de todos tratos comerciais do oriente, o objetivo era fazer uma parceria com ele.

A segunda frente seria preparar uma grande expedição de reconhecimento, de longa duração, que teria como objetivo atracar no porto de Sofala e Melinde, (costa oriental Africana), com o fim de estabelecer contato com fornecedores e iniciar um trato comercial. Esta expedição partia de Portugal nove anos depois, comandada por Vasco da Gama, mas muitas outras expedições secretas foram feitas, a fim de demarcar território e abrir caminho.

A terceira frente seria a de inteligência, ou seja obter informações decisivas e importantes para os rumos do comércio mundial. O grande desafio de D.João II era manter sigilo sobre tais informações e despistar a concorrência, sobretudo da Espanha.
  Cristóvão Colombo descobre oficialmente América em 1492, mas aqui persiste o enigma! Antes mesmo de prestar serviços para Espanha, Cristóvão Colombo havia, oferecido a Portugal, seu projeto de navegação e de exploração, em busca do caminho das Índias rumo a oeste do atlântico, mas sempre negado por D.João II “propositadamente” ... Em 1492 já estava ao serviço de Castela, quando Bartolomeu Dias já havia, confirmado em 1488, que o caminho marítimo para a Índia era navegar rumo ao sul e não a oeste do atlântico. Esse projeto apresentado a Castela não teria sido previamente combinado entre Colombo e D.João II, com o propósito deliberado de desviar Castela do verdadeiro caminho marítimo para a Índia? ... 
Tratado das Tordesilhas

Foi esta rivalidade que levou à assinatura do Tratado das Tordesilhas, a 7 de Julho de
1494, tratado este que definia como linha de demarcação, o meridiano que passava a 370 léguas a oeste do arquipélago de Cabo Verde. Os territórios a leste deste meridiano pertenceriam a Portugal e os territórios a oeste, pertenceriam a Castela. Este foi o último feito de D. João II antes da sua morte em 1495, sem herdeiros legítimos, pois seu filho D. Afonso de Portugal, morre em consequência de uma misteriosa queda a cavalo durante um passeio à beira do rio Tejo em Santarém. Antes de morrer, D.João II escolheu Manuel de Viseu, duque de Beja, seu primo direito e cunhado (irmão da rainha Leonor) para seu sucessor.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

CAPÍTULO III >> Expansão Marítima de Portugal - Ascensão ao Império



 D. Afonso V- reina de 1448 a 1481

Conhecido pelo Africano, pelas conquistas neste continente, sucedeu a seu pai em 1438, com apenas seis anos. Durante a menoridade, Portugal foi regido pela sua mãe, D. Leonor de Aragão, de acordo com o desejo expresso em testamento pelo rei D. Duarte de Portugal. No entanto, por ser mulher e estrangeira, D. Leonor de Aragão não era uma escolha popular e a oposição foi contra.
Em 1439, as Cortes decidem retirar a regência a D. Leonor e entregá-la a D. Pedro, Duque de Coimbra, o tio mais velho de D. Afonso V, deixando a classe média de burgueses e mercadores deveras satisfeita. No entanto, dentro da aristocracia, em particular D. Afonso conde de Barcelos (meio irmão de Pedro), começou a conspirar pelo poder e este torna-se no tio preferido de D. Afonso V. Em 1443, num gesto de reconciliação, D.Pedro torna o meio irmão Afonso no primeiro Duque de Bragança e as relações entre os dois parecem regressar à normalidade. Indiferente às intrigas, D. Pedro organiza o casamento do jovem rei com a sua filha Isabel e continua a sua regência, o país prospera sob a sua influência. É durante este período que se concedem os primeiros subsídios à exploração do oceano atlântico , organizada pelo seu irmão Infante D. Henrique
Padrão dos Descobrimentos D. Afonso V 
A 9 de Junho de 1448, D. Afonso V atinge a maioridade e assume o reinado. A 15 de setembro do mesmo ano, desejoso de mostrar independência política, anula todos os editais  aprovados durante a regência. A situação torna-se instável e, no ano seguinte, levado por informações que mais tarde viriam a provar-se falsas, D. Afonso V declara o tio e sogro, D. Pedro, rebelde e inimigo do Reino. Juntamente com D. Afonso Duque de Bragança, derrota o Duque de Coimbra na batalha de Alfarrobeira, onde este é morto em combate. Depois desta batalha e da perda de seu tio, D. Afonso V passa a ser muito influenciado pelo Duque de Bragança. Após esta primeira fase de instabilidade interna, centraliza seu foco na expansão do império. Durante anos faz várias incursões por África, atacando e conquistando uma série de importantes cidades e fortes árabes. Sob a posse de Portugal ficam Alcácer Ceguer, Tanger, Arzila e Larache, feitos e conquistas que lhe valeram o cognome de cavaleiro e Rei de Portugal e Algarves e de além-mar em África.
Domínio de Portugal no Norte de África
Com as campanhas africanas terminadas, D. Afonso V encontrou novas batalhas, desta vez políticas, na vizinha Castela, onde um escândalo de consequências dinásticas acabava de começar. O rei Henrique IV de Castela
morre em 1474, tendo como única herdeira
D. Joana da Trastâmara. Mas a paternidade da princesa era contestada com base na suposta impotência sexual do rei e na relação da rainha, D. Joana de Portugal, irmã de D. Afonso V, com um nobre chamado Beltrán de la Cueva. A nobreza e o clero estavam divididos, e uma parte apoiou a irmã de D. Henrique e tia de D. Joana, coroada como rainha Isabel I. É neste ponto que D. Afonso V interfere, casando, em 1475, com a sobrinha e assumindo as suas pretensões ao trono. D. Afonso V declara-se rei de Castela e invade o país vizinho. A campanha resulta em fracasso, quando este abandona o campo da Batalha de Toro, perto de Zamora, com sintomas de depressão. As tropas de Castela eram lideradas pelo Rei D. Fernanado II de Aragão, recentemente casado com D. Isabel I de Castela, os reis católicos. D. Afonso V, muda de estratégia e viaja até França na expectativa de conseguir o apoio do rei Luís XI, mas este recusa, por se encontrar em guerra com o duque de Borgonha, ao sentir-se traído regressa a Portugal em 1477. 
Conquista de Tânger
   Em fevereiro de 1479, Portugal sofreu mais um grave revés quando a dispensa papal que havia garantido o casamento de tio e sobrinha foi anulada, prejudicando em muito a pretensão de D. Afonso V. Sem escolha, o rei teve que concordar com um tratado de paz. Assinado na vila de Alcáçovas em 4 de setembro de 1479 e ratificado por ambos os lados no ano seguinte, na cidade castelhana de Toledo, a 6 de março de 1480. Consistia basicamente na renúncia de D. Afonso V a qualquer direito ao trono castelhano, assim como D. Joana, com quem não tivera filhos, nem tão pouco  teria consumado seu casamento. No que restou do seu reinado, D. Afonso V diminuiu significativamente as suas incursões por África e o desejo a novas descobertas.
   A última conquista foi a chegada ao Cabo de Santa Catarina. D.Afonso V retira-se da vida política em 1481, passando o trono ao seu filho, D. João II de Portugal, (que já tinha assumido provisoriamente em algumas ausências de seu pai), neste mesmo ano acaba por falecer a 28 de agosto de 1481 na mesma vila que o viu nascer, Sintra.



domingo, 22 de outubro de 2017

CAPÍTULO II >> Expansão Marítima de Portugal - Ascensão do Império

                                                                    


D. Duarte I - reina de 1433-1438

Apelidado do eloquente, ao contrário de seu pai D. João I, D. Duarte casado com D. Leonor de Aragão foi um monarca preocupado em gerar consenso e ao longo do curto reinado de cinco anos convocou as Cortes por cinco vezes, para discutir assuntos de estado.
Ordenou a organização de uma antologia em que se coordenasse e atualizasse o direito (lei) vigente, para a boa fé e fácil administração da justiça, obra essa que delegou a um especialista na área, Dr. Rui Fernandes, que a concluiu em 1446. D. Duarte deu continuidade à política de incentivo à exploração marítima e de conquistas em África. Durante o seu reinado, o seu irmão Henrique (Infante D. Henrique 1394-1460), visionário, aventureiro e empreendedor é ele que dá início à grandiosa era dos descobrimentos. Foi uma das figuras mais ilustres da História da Humanidade, responsável pela expansão ultramarina que mais tarde, desencadeou a descoberta do mundo novo.
Escola Náutica
Estabeleceu-se em Lagos, Algarve, devido à sua posição geográfica em relação a Marrocos (Ceuta) e pelos seus Portos naturais, propícios para a construção de navios. Ali constrói a sua Base Naval, e cria a Escola Náutica, de onde dirigia as suas navegações,(ao contrário do que se dizia não foi em Sagres, Cabo de S. Vicente, pois este, não passava de um lugar inóspito de falésias escarpadas viradas para o mar, localizado no extremo sudoeste da Europa). Com o recrutamento de cartógrafos, astrônomos e navegadores, era na Escola Náutica que desenvolviam novas técnicas de navegabilidade, desenhavam cartas náuticas e projetavam navios mais velozes. Em 25 de Maio de 1420, Infante D. Henrique foi nomeado Grão-Mestre da Ordem de Cristo, cargo que deteve até ao final da sua vida, (a CRUZ era a simbologia de destaque nas velas dos navios). O cargo e os recursos da ordem foram decisivos ao longo deste período, levou o Infante a organizar uma armada invencível, que mais tarde abriu caminho, à exploração do Atlântico: de facto, navios ao seu serviço, chegaram ao arquipélago da Madeira em (1419), ao comando dos seus escudeiros João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira, arquipélago que já era conhecido por navegadores portugueses desde o século anterior.
Mapa de Conquistas
Na sequência em 1427, são descobertas as primeiras ilhas dos Açores sob o comando de Gonçalo Velho, estas ilhas desabitadas foram depois povoadas pelos portugueses. Em 1434 Gil Eanes dobrou o Cabo do Bojador, um ponto lendário na época, cuja travessia causava terror aos marinheiros; daí avançou para Angra dos Ruivos em 1435, e Afonso Gonçalves Baldaia atingiu o Rio do Ouro em 1436. Em 1437, os irmãos Henrique e Fernando convenceram seu pai D. Duarte a lançar um ataque a Tânger, Marrocos, de forma a consolidar a presença portuguesa no norte de África, onde se pretendia uma base para a exploração do oceano Atlântico, visto que a cidade de Ceuta não foi o sucesso que se esperava. Os mercadores árabes deixaram de aparecer e mudaram suas rotas comerciais para outro lado. Com esta mudança os portugueses viram-se obrigados a procurar riqueza através da exploração marítima, em busca de novos mercados, pela costa Africana. Mas a ideia não foi consensual: D. Pedro Duque de Coimbra e D. João, Infante de Portugal estavam contra esta iniciativa, de atacar diretamente o rei de Marrocos.
Derrota em Tânger
   A campanha foi mal sucedida e a cidade de Tânger não foi conquistada, custando a derrota e grandes perdas na batalha. O próprio príncipe Fernando foi capturado e morreu em cativeiro, por recusar-se a ser libertado em troca da devolução de Ceuta, o que lhe valeu a alcunha de "Infante Santo". 
  O próprio D. Duarte, morreu pouco tempo depois vítima da peste. Fora da esfera política, D. Duarte, foi um homem interessado em cultura e conhecimento. Escreveu vários livros de poesia e prosa. Estava a preparar uma revisão do código civil português quando a doença o vitimou. Após este breve período de interregno, marcado pelo fracasso da expedição a Tânger e da morte de D. Duarte, as viagens de exploração retomaram em 1441, ao seu ritmo inicial, alcançando-se a Guiné e o arquipélago de Cabo Verde.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

CAPÍTULO I >> ENTENDER MELHOR A HISTÓRIA DE PORTUGAL após a idade média - ascensão do império...


A Crise de 1383–1385

Posto fim à guerra de Castela, acorda-se que a única filha legítima de D. Fernando I a infanta D. Beatriz de Portugal, case com o rei D.João I. Esta opção significava uma anexação de Portugal, que não foi bem recebida pela classe média, nem pela nobreza portuguesa. Com a morte de D.Fernando I em 1383, a falta da existência de herdeiros homens à sua sucessão, sua esposa D. Leonor de Teles é nomeada a primeira rainha regente de Portugal, em nome da sua filha legítima, D.Beatriz de Portugal e pelo rei D. João I de Castela, mas a transição não foi pacífica. Vivia-se um período conturbado de guerra civil, onde o caos político social dominava, e a anarquia prevalecia; Período este conhecido como “Interregno”.


                                                                 Batalha de Aljubarrota


   Pela apelação de uma grande maioria do povo português, de manter o país independente de Castela, em 1385 as Cortes de Coimbra declaram D.João I, mestre de Avis, irmão bastardo de D. Fernando I, rei de Portugal. Apesar da escolha, D.João I de Castela não desistiu de tentar conquistar e expandir o seu reino, resolve invadir Portugal. O exército castelhano muito mais numeroso é derrotado pelo exército português com a ajuda dos ingleses, ao comando de D. Nuno Álvares Pereira na famosa batalha de Aljubarrota, graças à chamada "tática do quadrado”, tendo este sido nomeado por D.João I de Portugal, o Condestável do Reino. Com o fim da dinastia de Borgonha, dá-se início à dinastia de Avis em 1385...

      Casamento de D. João I com D. Filipa de Lencastre 

D.João I - reina de 1385 a 1433
Apelidado o de boa memória. 

É neste período que se inicia a expansão do Império Português, a batalha de Aljubarrota, o tratado de Windsor, aliança Luso-Inglesa em que. Portugal e Inglaterra (D. João I e Ricardo II) assinaram formalmente a aliança que haveria de servir de alicerce às relações bilaterais entre ambos durante mais de 600 anos. O último ato a firmar esta aliança foi o casamento real entre Filipa de Lencastre, filha de João de Gante, Duque de Lencastre, e D. João I, realizado em 1387. O comércio bilateral floresceu através dos armazéns ingleses no Porto: bacalhau e tecidos eram trocados por vinho, cortiça, sal e azeite. 


                                                                   Conquista de Ceuta

   A conquista de Ceuta em Marrocos, marcaram as três etapas na consolidação da monarquia e assim se deu início à expansão Ultramarina. Os três filhos mais velhos do Rei D. João I e da Rainha Filipa de Lencastre, Duarte, Pedro de Portugal, 1º Duque de Coimbra e Henrique, ganharam o título de cavaleiros ao serviço de conquistas feitas aos mouros. Em 1415 uma frota portuguesa, comandada pelo rei e os três príncipes, partiu para Ceuta, a cidade foi conquistada e guarnecida, e assim, foi o primeiro posto avançado português, conquistado em continente Africano.
Henrique, (posteriormente conhecido como , o Navegador), liderou a época áurea de Portugal através das suas viagens e descobertas marítimas.