D. João II- reina de 1481 a 1495. Apelidado de (o príncipe perfeito)
Na Europa, mais propriamente nas cidades do mediterrâneo, que dominavam o comércio dos produtos vindos do oriente: como Veneza, Gênova e Florença, mais a oriente Constantinopla (atual Istambul, Turquia) e também as cidades no norte de África, os cobiçados produtos do Oriente chegavam a estes portos por rotas terrestres.
Os comerciantes Italianos, monopolizavam esse comércio fazendo a distribuição por toda Europa. No entanto, as relações entre o Ocidente cristão e o Médio Oriente muçulmanonunca foram as melhores. Para acessar as riquezas da Índia e Oriente, os comerciantes europeus necessitavam manter boas relações diplomáticas com esses povos que eram os seus grandes fornecedores.
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| Domínio do Império Otomano |
Qualquer ruptura significaria o fracasso total, então D. João I, decide que Portugal deveria assumir um certo protagonismo no comércio Europeu e inicia a sua caminhada com a tomada de Ceuta, onde seus sucessores continuam a expansão marítima em direção ao atlântico sul em busca de se chegar ao oriente por mar, (já referenciado nos capítulos anteriores). Mas esta iniciativa era desprezada e até ridicularizada pelos europeus, detentores do monopólio comercial. Com a conquista da Constantinopla pelo Império Otomano em 1453, as principais rotas haviam sido bloqueadas, logo uma crise inevitável se abate sobre os portos que detinham o monopólio dessas rotas e produtos. D.JoãoII, acompanhou o seu pai nas campanhas em África e foi armado cavaleiro, depois da tomada de Arzila a 21 de Agosto 1471, com a morte de seu pai D. Afonso V, assume definitivamente o trono de Portugal em 1481, agora mais de que nunca era de extrema importância Portugal, seguir suas conquistas pelo continente africano, em busca do caminho para o oriente pelo mar. Para custear estas viagens D. João II de imediato faz contatos com os proprietários de grandes empresas comerciais que numa grande maioria, pertenciam a judeus. Essa atitude custaria a ele o rompimento com a nobreza portuguesa e também com a Igreja. Mesmo assim com todas dificuldades, D. João II convoca em 1487, três dos seus homens de confiança para uma missão secreta; enviando Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva, para recolher informações do Oriente acerca das rotas comerciais e pontos de referência e Bartolomeu Dias, com o propósito de explorar e investigar, a verdadeira extensão para Sul da costa do continente africano, de forma a avaliar a possibilidade de um caminho marítimo para a Índia.
O resultado não poderia ter sido mais promissor, as informações enviadas por Covilhã eram precisas. Um ano depois, Bartolomeu Dias em 1488, chegou ao oceano Indico a partir do Atlântico. Era o primeiro navegador a transpor o extremo sul da África, dobrando ao que ele lhe chamou de Cabo das Tormentas, (pelas tempestades e grandes vendavais que existiam na região).
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| Passagem do Cabo da Boa Esperança |
D.João II, ao saber do feito, o batizou de Cabo da Boa Esperança (por se terem aberto as portas do tão ambicioso caminho marítimo para Índia). O alto investimento aplicado nas viagens feitas, havia sido recompensado, “foi o acontecimento revestido de enorme grandeza em toda história das navegações”... Em segredo absoluto, era tempo de preparar um plano de navegação e exploração com 3 frentes de trabalho:
Sendo a primeira, estabelecer com o reinado de Preste João, (um soberano cristão do oriente com funções de patriarca e rei, correspondendo, na verdade, ao Imperador da Etiópia), homem muito bem relacionado, detentor de um vasto conhecimento de todos tratos comerciais do oriente, o objetivo era fazer uma parceria com ele.
A segunda frente seria preparar uma grande expedição de reconhecimento, de longa duração, que teria como objetivo atracar no porto de Sofala e Melinde, (costa oriental Africana), com o fim de estabelecer contato com fornecedores e iniciar um trato comercial. Esta expedição partia de Portugal nove anos depois, comandada por Vasco da Gama, mas muitas outras expedições secretas foram feitas, a fim de demarcar território e abrir caminho.
A terceira frente seria a de inteligência, ou seja obter informações decisivas e importantes para os rumos do comércio mundial. O grande desafio de D.João II era manter sigilo sobre tais informações e despistar a concorrência, sobretudo da Espanha.
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| Tratado das Tordesilhas |
Foi esta rivalidade que levou à assinatura do Tratado das Tordesilhas, a 7 de Julho de
1494, tratado este que definia como linha de demarcação, o meridiano que passava a 370 léguas a oeste do arquipélago de Cabo Verde. Os territórios a leste deste meridiano pertenceriam a Portugal e os territórios a oeste, pertenceriam a Castela. Este foi o último feito de D. João II antes da sua morte em 1495, sem herdeiros legítimos, pois seu filho D. Afonso de Portugal, morre em consequência de uma misteriosa queda a cavalo durante um passeio à beira do rio Tejo em Santarém. Antes de morrer, D.João II escolheu Manuel de Viseu, duque de Beja, seu primo direito e cunhado (irmão da rainha Leonor) para seu sucessor.



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