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domingo, 22 de outubro de 2017

CAPÍTULO II >> Expansão Marítima de Portugal - Ascensão do Império

                                                                    


D. Duarte I - reina de 1433-1438

Apelidado do eloquente, ao contrário de seu pai D. João I, D. Duarte casado com D. Leonor de Aragão foi um monarca preocupado em gerar consenso e ao longo do curto reinado de cinco anos convocou as Cortes por cinco vezes, para discutir assuntos de estado.
Ordenou a organização de uma antologia em que se coordenasse e atualizasse o direito (lei) vigente, para a boa fé e fácil administração da justiça, obra essa que delegou a um especialista na área, Dr. Rui Fernandes, que a concluiu em 1446. D. Duarte deu continuidade à política de incentivo à exploração marítima e de conquistas em África. Durante o seu reinado, o seu irmão Henrique (Infante D. Henrique 1394-1460), visionário, aventureiro e empreendedor é ele que dá início à grandiosa era dos descobrimentos. Foi uma das figuras mais ilustres da História da Humanidade, responsável pela expansão ultramarina que mais tarde, desencadeou a descoberta do mundo novo.
Escola Náutica
Estabeleceu-se em Lagos, Algarve, devido à sua posição geográfica em relação a Marrocos (Ceuta) e pelos seus Portos naturais, propícios para a construção de navios. Ali constrói a sua Base Naval, e cria a Escola Náutica, de onde dirigia as suas navegações,(ao contrário do que se dizia não foi em Sagres, Cabo de S. Vicente, pois este, não passava de um lugar inóspito de falésias escarpadas viradas para o mar, localizado no extremo sudoeste da Europa). Com o recrutamento de cartógrafos, astrônomos e navegadores, era na Escola Náutica que desenvolviam novas técnicas de navegabilidade, desenhavam cartas náuticas e projetavam navios mais velozes. Em 25 de Maio de 1420, Infante D. Henrique foi nomeado Grão-Mestre da Ordem de Cristo, cargo que deteve até ao final da sua vida, (a CRUZ era a simbologia de destaque nas velas dos navios). O cargo e os recursos da ordem foram decisivos ao longo deste período, levou o Infante a organizar uma armada invencível, que mais tarde abriu caminho, à exploração do Atlântico: de facto, navios ao seu serviço, chegaram ao arquipélago da Madeira em (1419), ao comando dos seus escudeiros João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira, arquipélago que já era conhecido por navegadores portugueses desde o século anterior.
Mapa de Conquistas
Na sequência em 1427, são descobertas as primeiras ilhas dos Açores sob o comando de Gonçalo Velho, estas ilhas desabitadas foram depois povoadas pelos portugueses. Em 1434 Gil Eanes dobrou o Cabo do Bojador, um ponto lendário na época, cuja travessia causava terror aos marinheiros; daí avançou para Angra dos Ruivos em 1435, e Afonso Gonçalves Baldaia atingiu o Rio do Ouro em 1436. Em 1437, os irmãos Henrique e Fernando convenceram seu pai D. Duarte a lançar um ataque a Tânger, Marrocos, de forma a consolidar a presença portuguesa no norte de África, onde se pretendia uma base para a exploração do oceano Atlântico, visto que a cidade de Ceuta não foi o sucesso que se esperava. Os mercadores árabes deixaram de aparecer e mudaram suas rotas comerciais para outro lado. Com esta mudança os portugueses viram-se obrigados a procurar riqueza através da exploração marítima, em busca de novos mercados, pela costa Africana. Mas a ideia não foi consensual: D. Pedro Duque de Coimbra e D. João, Infante de Portugal estavam contra esta iniciativa, de atacar diretamente o rei de Marrocos.
Derrota em Tânger
   A campanha foi mal sucedida e a cidade de Tânger não foi conquistada, custando a derrota e grandes perdas na batalha. O próprio príncipe Fernando foi capturado e morreu em cativeiro, por recusar-se a ser libertado em troca da devolução de Ceuta, o que lhe valeu a alcunha de "Infante Santo". 
  O próprio D. Duarte, morreu pouco tempo depois vítima da peste. Fora da esfera política, D. Duarte, foi um homem interessado em cultura e conhecimento. Escreveu vários livros de poesia e prosa. Estava a preparar uma revisão do código civil português quando a doença o vitimou. Após este breve período de interregno, marcado pelo fracasso da expedição a Tânger e da morte de D. Duarte, as viagens de exploração retomaram em 1441, ao seu ritmo inicial, alcançando-se a Guiné e o arquipélago de Cabo Verde.

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