Translate

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

CAPÍTULO III >> Expansão Marítima de Portugal - Ascensão ao Império



 D. Afonso V- reina de 1448 a 1481

Conhecido pelo Africano, pelas conquistas neste continente, sucedeu a seu pai em 1438, com apenas seis anos. Durante a menoridade, Portugal foi regido pela sua mãe, D. Leonor de Aragão, de acordo com o desejo expresso em testamento pelo rei D. Duarte de Portugal. No entanto, por ser mulher e estrangeira, D. Leonor de Aragão não era uma escolha popular e a oposição foi contra.
Em 1439, as Cortes decidem retirar a regência a D. Leonor e entregá-la a D. Pedro, Duque de Coimbra, o tio mais velho de D. Afonso V, deixando a classe média de burgueses e mercadores deveras satisfeita. No entanto, dentro da aristocracia, em particular D. Afonso conde de Barcelos (meio irmão de Pedro), começou a conspirar pelo poder e este torna-se no tio preferido de D. Afonso V. Em 1443, num gesto de reconciliação, D.Pedro torna o meio irmão Afonso no primeiro Duque de Bragança e as relações entre os dois parecem regressar à normalidade. Indiferente às intrigas, D. Pedro organiza o casamento do jovem rei com a sua filha Isabel e continua a sua regência, o país prospera sob a sua influência. É durante este período que se concedem os primeiros subsídios à exploração do oceano atlântico , organizada pelo seu irmão Infante D. Henrique
Padrão dos Descobrimentos D. Afonso V 
A 9 de Junho de 1448, D. Afonso V atinge a maioridade e assume o reinado. A 15 de setembro do mesmo ano, desejoso de mostrar independência política, anula todos os editais  aprovados durante a regência. A situação torna-se instável e, no ano seguinte, levado por informações que mais tarde viriam a provar-se falsas, D. Afonso V declara o tio e sogro, D. Pedro, rebelde e inimigo do Reino. Juntamente com D. Afonso Duque de Bragança, derrota o Duque de Coimbra na batalha de Alfarrobeira, onde este é morto em combate. Depois desta batalha e da perda de seu tio, D. Afonso V passa a ser muito influenciado pelo Duque de Bragança. Após esta primeira fase de instabilidade interna, centraliza seu foco na expansão do império. Durante anos faz várias incursões por África, atacando e conquistando uma série de importantes cidades e fortes árabes. Sob a posse de Portugal ficam Alcácer Ceguer, Tanger, Arzila e Larache, feitos e conquistas que lhe valeram o cognome de cavaleiro e Rei de Portugal e Algarves e de além-mar em África.
Domínio de Portugal no Norte de África
Com as campanhas africanas terminadas, D. Afonso V encontrou novas batalhas, desta vez políticas, na vizinha Castela, onde um escândalo de consequências dinásticas acabava de começar. O rei Henrique IV de Castela
morre em 1474, tendo como única herdeira
D. Joana da Trastâmara. Mas a paternidade da princesa era contestada com base na suposta impotência sexual do rei e na relação da rainha, D. Joana de Portugal, irmã de D. Afonso V, com um nobre chamado Beltrán de la Cueva. A nobreza e o clero estavam divididos, e uma parte apoiou a irmã de D. Henrique e tia de D. Joana, coroada como rainha Isabel I. É neste ponto que D. Afonso V interfere, casando, em 1475, com a sobrinha e assumindo as suas pretensões ao trono. D. Afonso V declara-se rei de Castela e invade o país vizinho. A campanha resulta em fracasso, quando este abandona o campo da Batalha de Toro, perto de Zamora, com sintomas de depressão. As tropas de Castela eram lideradas pelo Rei D. Fernanado II de Aragão, recentemente casado com D. Isabel I de Castela, os reis católicos. D. Afonso V, muda de estratégia e viaja até França na expectativa de conseguir o apoio do rei Luís XI, mas este recusa, por se encontrar em guerra com o duque de Borgonha, ao sentir-se traído regressa a Portugal em 1477. 
Conquista de Tânger
   Em fevereiro de 1479, Portugal sofreu mais um grave revés quando a dispensa papal que havia garantido o casamento de tio e sobrinha foi anulada, prejudicando em muito a pretensão de D. Afonso V. Sem escolha, o rei teve que concordar com um tratado de paz. Assinado na vila de Alcáçovas em 4 de setembro de 1479 e ratificado por ambos os lados no ano seguinte, na cidade castelhana de Toledo, a 6 de março de 1480. Consistia basicamente na renúncia de D. Afonso V a qualquer direito ao trono castelhano, assim como D. Joana, com quem não tivera filhos, nem tão pouco  teria consumado seu casamento. No que restou do seu reinado, D. Afonso V diminuiu significativamente as suas incursões por África e o desejo a novas descobertas.
   A última conquista foi a chegada ao Cabo de Santa Catarina. D.Afonso V retira-se da vida política em 1481, passando o trono ao seu filho, D. João II de Portugal, (que já tinha assumido provisoriamente em algumas ausências de seu pai), neste mesmo ano acaba por falecer a 28 de agosto de 1481 na mesma vila que o viu nascer, Sintra.



Nenhum comentário:

Postar um comentário