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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

AMAZÔNIA BRASILEIRA

A imensidão da Amazônia...

     OS CONTRASTES da maior floresta tropical do planeta, com 5 milhões de quilômetros quadrados, aonde abriga  6% de todas as espécies conhecidas de plantas e animais. Em duas décadas, a ocupação desordenada resultou no desmatamento de um território maior que o da Alemanha, a densidade populacional na Amazônia é de 25 milhões de pessoas, a grande maioria vive nas áreas urbanas, aonde existe a maior taxa de homicídios do país, a bandidagem e a impunidade resultam num caos sem paralelo no país, cuja causa é o tráfico de drogas e madeira, (dos 100 municípios Brasileiros com maior índice de homicídios, 33 estão na Amazônia).      

A maior reserva de água doce do mundo...

   Embora a amazônia  seja chamada “como o pulmão do mundo” é aonde existe a energia mais suja do Brasil, 260 usinas termelétricas instaladas nos estados do Acre, Rondônia, Amapá, Amazonas, Pará, Roraima e Mato Grosso emitem o dobro dos poluentes produzidos pela frota de veículos da cidade de São Paulo. Não faz sentido falar em preservação ambiental sem que pelo menos 90% da energia da região seja proveniente de fontes limpas. 

                          Palafitas construídas nas zonas ribeirinhas...

A falta de saúde assusta, é aonde existe a maior incidência de tuberculose do país, com uma média de 46 casos por 100.000 habitantes, 10% das crianças das capitais dos estados atrás mencionados são desnutridas, fora das áreas urbanas o número sobe para 23% e nas comunidades às margens do Rio Negro, onde a quantidade de peixe é menor, o percentual chega a 35%. 

O caos urbano é preocupante, apenas 9,7% dos domicílios de toda a região norte têm tratamento de esgotos.

Encontro das águas escuras do Rio Negro com as águas barrentas do Rio Solimões em Manaus...


O rio Amazonas, o maior do mundo em extensão e caudal, despeja no mar em um dia a mesma quantidade de água que o Tamisa em Londres demora em um ano. O vapor de água produzido por meio da evaporação é o causador de  60% das chuvas que caem  nas regiões Norte, Centro Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Amazônia representa mais da metade do território Brasileiro, área equivalente a nove vezes o território de França. Com o reconhecimento da sua grandeza, a maior floresta do planeta permanece sob o domínio da natureza, no qual o homem não é bem vindo. 

O Ariaú Amazon Towers Hotel, construído sobre palafitas ao nível das copas das árvores - técnica muito utilizada pelos nativos, têm uma arquitetura regional única na região. O complexo hoteleiro possui 8 torres sobre a Selva Amazônica, estrategicamente localizada com confortáveis apartamentos, aonde se pode desfrutar de uma fascinante vista da selva e de toda a sua biodiversidade...


A exuberância da natureza contrasta com a qualidade de vida dos amazonenses, a imagem idealizada de quem vive no paraíso tropical e nele quer permanecer só tem correspondência com o mundo real na imaginação de quem vive longe dali. Mesmo aquele que mora em zonas distantes, só acessíveis por barcos, assiste às novelas em TVs com antenas parabólicas e energia elétrica proveniente de geradores a óleo diesel.  É na Amazônia aonde se concentra 36% do gado bovino e 5% das plantações de soja do Brasil. O ribeirinho assim como o índio prefere cozinhar em fogão a gás, nem que para isso precise pagar por esse conforto com bens retirados da floresta. Como explicar a estes habitantes que caça há gerações  para se alimentar  e  agora é crime ambiental? É bizarro... 

Desmatamento à margem da lei ...

Zona Portuária de Manaus...


















Logo após o período colonial, a primeira grande onda migratória para a Amazônia ocorreu no final do século XIX e principio do século XX. Estima-se que 300.000 a 500.000 brasileiros se tenham instalado na floresta para a extração da borracha, anos áureos para a economia da região. No final desse ciclo, não apenas deixou os seringueiros abandonados como também arruinou a elite europeia instalada em Manaus e Belém. 
Só em 1967 com a criação da Zona Franca de Manaus (um dos maiores polos industriais do país), com o avanço da agricultura e da pecuária, renasce novamente o interesse migratório de brasileiros das mais diversas regiões do país. Vivem na Amazônia 400.000 índios de 200 etnias que mantêm o contato com a sociedade, só 70 tribos é que permanecem isoladas em regiões mais remotas. Os que vivem na aldeia querem trazer a cidade para dentro dela, os computadores e a internet estão presentes em muitas delas, aonde é utilizada para vender artesanato, estudar e reivindicar direitos. O exemplo do cacique da etnia Suruí na Rondônia fechou um acordo com o Google para mapear as terras da sua tribo, contra a invasão de intrusos, principalmente os madeireiros. Um dos principais entraves ao desenvolvimento da Amazônia é a desordem fundiária, só 4% das terras têm títulos de propriedade, o restante território que corresponde a 59% do território Brasileiro”, portanto em 55% deste imenso território impera a chamada lei da selva”, ninguém sabe quem é o dono da terra e quem a ocupa. A incapacidade das autoridades governativas para este gravíssimo problema está longe de ser resolvido. Não há exemplo no mundo em que uma região se tenha desenvolvido economicamente sem segurança jurídica. Neste ambiente de insegurança o investimento a longo prazo é reduzido, pois enquanto não for eliminada a anarquia legal e jurídica, fica difícil garantir a preservação da floresta ou criar infraestruturas para melhorar a qualidade de vida do povo da Amazônia. “Só um bom exemplo prospera neste imenso território, ” Zona Franca de Manaus”, aonde concentra 550 indústrias modernas com um faturamento bastante expressivo na economia do país. 

Polo Industrial de Manaus...

Uma riqueza produzida sem que seja necessário derrubar árvores. 
Seu exemplo poderia ser seguido em outras regiões da Amazônia com a criação de outras indústrias limpas, como as ligadas aos setores farmacêuticos e de biotecnologia. Numa região com tantos recursos hídricos, é preciso que as hidroelétricas encontrem soluções viáveis, pois  as termoelétricas que existem além de insustentáveis não respondem às necessidades da população... A Amazônia tem a maior biodiversidade do planeta, mas apenas 10% dela é conhecida pela ciência. A falta de pesquisas e as leis contra a biopirataria impedem que o Brasil aproveite o potencial  do uso da flora e dos microrganismos na medicina e na indústria.

Surfando nas Pororocas


Pororoca são ondas que ocorrem  na Amazônia. Trata-se de um fenômeno natural produzido pelo encontro das correntes fluviais com as águas oceânicas. Ocorre na foz do Rio Amazonas e afluentes do litoral paraense e amapaense. O choque das águas derruba árvores de grande porte e modifica o leito dos rios. Surfistas aproveitam este fenômeno da natureza levando a adrenalina ao seu ponto mais alto, passando a ser mais  uma atração turística para a região...

sexta-feira, 25 de maio de 2012

ANGOLA




Serra da Leba é uma formação montanhosa na província da Huíla ao sul de Angola, famosa pela sua beleza e pela estrada que a serpenteia é um dos postais mais representativos do país. Foi cartão postal por décadas, mas todas as fotos foram tiradas de dia. A uma altitude de 1.800 metros, escuro e nebuloso, o quase impossível foi conseguido ”tirar uma foto à noite”. Diafragma aberto durante 60 segundos, um carro desceu, outro subiu e se encontram no meio do percurso em menos de 60 segundos. Resultado conseguido nesta maravilhosa foto. 

Numa praia remota ao sul de Luanda, estas crianças são filhos de pescadores locais. Embora estas famílias vivam com poucos recursos, extraordinariamente seus sorrisos estão presentes, sempre que um visitante chega a praia. A inocência e a naturalidade são a semente de uma geração que passou por uma violenta guerra de três décadas...



Fenda da Tundavala é um enorme abismo com cerca de 1200 m, situado na Serra da Leba, a 18 km do Lubango, província da Huíla. É nestes penhascos da que termina o planalto central de Huambo. Aqui o planalto tem 1800 metros de altitude e cai abruptamente para uma altitude de 300 metros, provocando um desnível deslumbrante com fendas enormes. Paisagem magnífica que se estende por dezenas de quilómetros. Não existem muitos locais assim de tão rara beleza... “é simplesmente impressionante”. Conta-se que aqui muitas vidas foram ceifadas no tempo da guerra civil que assombrou o país durante 30 anos. Lá em baixo, estendendo-se até ao limite do horizonte, podemos observar terras dos Mucubais, povo nativo desta região. Uma tribo pouco conhecida fora de Angola que mede a sua riqueza pelos bois, e que de forma alguma se misturam com outras tribos...



Quedas de água de Kalandula antigamente conhecidas por (Duque de Bragança), ficam a cerca de 80 km da cidade de Malange, capital da província com o mesmo nome e a 420 km de Luanda, a capital do país. Localizadas no rio Lucala, o mais importante afluente do rio Kwanza o maior rio de Angola com mil quilómetros de extensão. As quedas de Kalandula têm 410 metros de comprimento e 105 de altura, são as segundas maiores de África. Imaginem o som da água a cair desta altura, “aqui o fumo trovoa”...


Pedras Negras de Pungo Andongo ficam localizadas a cerca de 116 km da cidade de Malanje e são mais uma atração turística de Angola. Misteriosas formações rochosas, com milhões de anos que se elevam bem acima da savana que as rodeia. Representam enorme simbolismo para a nação angolana, segundo a lenda “a célebre Rainha Ginga ali deixou a sua marca bem cravada nas pedras que pisou”... A vila de Pungo-Andongo localiza-se nas imediações, onde também se encontram as ruínas de uma antiga Fortaleza, erguida pelos portugueses em 1671, tinha como função a defesa do presídio (estabelecimento da colonização) que assegurava a presença militar Portuguesa e o seu comércio na região, desde o século XVII.









Miradouro da Lua é um conjunto de falésias a 40 km ao sul de Luanda. Ao longo do tempo, a erosão provocada pelo vento e pela chuva deu origem a uma paisagem escarpada ao longo de quilómetros, aonde um vasto leque de formações de rocha vermelha e prateada vão-se precipitando até ao mar. Em dezenas de metros apenas, passa-se de um planalto de 100 metros de altitude para as cotas da praia. É um ponto turístico de paragem obrigatória para quem se dirige de Luanda à Barra do Kwanza...




Os Himba são uma tribo nómada pertencente ao grupo étnico dos Hereros, oriundos da Etiópia. Vivem no Sul de Angola desde século XVI às margens do Rio Cunene, que marca a fronteira entre a Namíbia e Angola, mas circulam livremente entre os dois países. Para eles, não existem fronteiras. Vagam pelo deserto com os leões e os elefantes, chegando a caminhar até 80 quilómetros por dia em busca de água para o gado. O esforço vale a pena, o gado bovino é o principal símbolo de status de uma família Himba, e seu roubo é punido com a morte. O histórico de resistência foi quase sempre marcado pelo sangue – os Himba não se submeteram à escravidão portuguesa e nem à tentativa de dominação alemã na Namíbia. ”Bem mais do que o choque cultural” é a generosidade deste povo. Seu comportamento é o que mais impressiona, “totalmente fora da sociedade egoísta e selvagem em que vivemos hoje”. Quando uma criança recebe um chocolate, ela corre em direção às outras para reparti-lo. Quando alguém consegue um prato de comida, automaticamente essa pessoa chama os outros para que comam juntos. As mulheres são amáveis, diligentes e belíssimas, os homens são secos, musculosos e aguerridos. Suas tradições centenárias mantêm-se quase intactas, uma delas é o hábito das mulheres cobrirem o corpo com um óleo avermelhado (mistura de banha de boi com o uma pedra local), que protege a pele do vento e do sol. As mulheres Himba dispendem todos os dias várias horas para cuidar da sua beleza, distinguindo-se pelos penteados com os característicos e inconfundíveis ornamentos. As Himba também comandam uma sociedade poligâmica, em que cada mulher pode ter relações sexuais com vários homens.